Declarar IRPF em março aumenta chance de malha fina? Entenda dúvida que circula nas redes

Tem circulado nas redes sociais uma informação parcialmente incorreta sobre o envio da declaração do Imposto de Renda (IR) 2025. Nas redes, alguns contribuintes vêm afirmando que quem entregar a declaração antes de 1º de abril tem mais chances de cair na malha fina.
E por que essa informação é parcialmente incorreta? O contribuinte que entregar a declaração do IR 2025 antes de 1º de abril deverá fazer o preenchimento manual, sem o uso da declaração pré-preenchida, que só estará disponível no início de abril. Não usar a pré-preenchida não quer dizer automaticamente cair na malha fina, até porque a modalidade foi criada apenas nos últimos anos e, até então, os envios eram feitos de forma totalmente manual.
Mas não usar a declaração pré-preenchida pode sim aumentar os riscos de um contribuinte inexperiente cair na malha fina, já que a modalidade traz informações importantes e pode facilitar o levantamento e envio do IRPF sem erros. A própria Receita Federal aposta na modalidade como forma de reduzir erros e também para diminuir as declarações retidas na malha fina.
O contador e sócio da DWC Contábil, Danilo Campos, que agora integra o time de articulistas do Contábeis quinzenalmente às terças-feiras, esclarece que a declaração pré-preenchida é de extrema importância para entrega da declaração do IRPF. "Em anos anteriores aqui no escritório nós vimos casos em que o cliente havia se esquecido de um procedimento médico realizado no inicio do ano e que a nota fiscal emitida foi inserida na declaração por meio da pré-preenchida. E essa nota, esse procedimento, é dedutivel na base de cçalculo do imposto a pagar. Um outro exemplo são empresas que erram no preenchimento das notas fiscais que são enviadas à Receita e o cliente consegue saber através da pré-preenchida, que se não a fizer, só ficará sabendo do erro quando a declaração cair na malha, alegando desacordo nas informações enviadas".
O especialista também alerta para o aumento de bancos digitais e a facilidade de abrir contas em diferentes instituições financieras e esquecer delas. "Também temos as contas bancarias com suas aplicações e investimentos, onde hoje é muito facil abrir uma conta e simplesmente esquecer de imprimir o informe de rendimentos para lançar os valores em conta ou até mesmo seus rendimentos".
Como a pré-preenchida importa diferentes dados do cada contribuinte, pode ser mais fácil, especialmente para quem nunca declarou o IR antes, apenas conferir os dados e não inserir manualmente cada item, uma vez que este processo pode gerar erros de digitação, falta de informações, omissão de fontes pagadoras e mais.
"A pré-preenchida evita a malha e consolida o que foi entregue a Receita no prazo. Por exemplo, empresas que entregam a DIRF e depois retificam. Se entregue com a pré-preenchida e cai na malha, o contribuinte saberá que a empresa retificou as informações e que não foi erro na digitação das rendas tributadas recebidas através do trabalho prestado", esclarece o contador e sócio da DWC Contábil.
Assim, a informação que vem circulando nas redes sociais não é totalmente incorreta, já que entregar a declaração antes de 1º de abril, sem o uso da pré-preenchida, pode aumentar os riscos de contribuintes inexperientes caírem na malha fina. Mas é iportante ressaltar que não é a data por si só que gera maior risco de retenção na malha ou que terá maior atenção do Fisco e sim a possibilidade de as informações enviadas na declaração estarem incorretas ou com dados faltantes.
O contador confirma que o risco de quem enviar antes de 1º de abril cair na malha fina está diretamente relacionado à liberação integral da pré-preenchida. "Então, não é o dia primeiro de abril, mas sim a disponibilidade da Receita em agilizar seus processos internos para que a pré-preenchida esteja com todas as informações do contribuinte e o mesmo possa analisar, corrigir e o principal que é não ter retrabalho com a malha fina da Receita Federal".
Lembrando que mesmo as informações contidas na pré-preenchida estão passíveis de erros e devem ser verificadas. A responsabilidade de conferir os dados é do contribuinte e/ou contador responsável, e não da Receita Federal. Assim, quem for usar a modalidade, deve conferir item por item que constar na declaração.